Quem sou eu e por que criei O Bom Católico
Meu nome é Gabriel. Sou engenheiro civil, trabalho com inteligência artificial, sou marido, e nos últimos anos voltei para a Igreja Católica. Não de forma tranquila, não por tradição familiar, mas depois de um caminho longo, tortuoso e honestamente bastante sofrido.
Se você está lendo isso, provavelmente também tem uma história. É exatamente por isso que escrevo.
A saída
Fui batizado católico, como tantos brasileiros. Mas aos 8 anos, quando minha mãe migrou para uma igreja evangélica, a fé católica ficou para trás antes mesmo de eu entendê-la.
Fiquei alguns anos nesse ambiente sem nunca me sentir em casa. Havia algo na superficialidade das celebrações, no emocionalismo fácil, que não me convencia. Aos 17 anos saí de qualquer denominação. Me declarei ateu.
Hoje entendo o que era: não era ateísmo. Era revolta misturada com ignorância. Eu não conhecia o catolicismo de verdade. Nunca tinha conhecido.
Os anos no meio do caminho
Por quase duas décadas fiquei à deriva. Tentei outros caminhos espirituais, frequentei outros centros religiosos por influência de relacionamentos, de curiosidade, de uma busca que eu nem sabia nomear direito.
Nada preenchia. Nada tinha peso.
O retorno e o medo de voltar
Em 2022, por um impulso que até hoje não sei explicar completamente, senti vontade de entrar em uma igreja católica.
Mas o que senti ao me aproximar foi como estar perdido sem saber sequer de onde tinha saído. A Igreja Católica que pintavam para mim era uma instituição superficial, corrupta e sem base em nada, cheia de hipocrisia e idolatria. Mas quem pintava esse quadro eram os protestantes com suas milhares de denominações. Afinal, se há hoje no Brasil mais de 50 mil denominações evangélicas diferentes, sim, 50 mil nomes de igrejas diferentes, eles nem sequer entendem o que é união. Cada um fica perdido no próprio caminho. E nós que sentimos falta do lar, da casa do pai, ficamos sem saber como voltar e até com medo de encontrar aquele mal todo que diziam haver.
Mesmo assim entrei. E senti como se voltasse para casa.
É a melhor descrição que tenho. Aquela sensação que imagino que o filho pródigo sentiu ao ver o pai correr em sua direção. Um reconhecimento, um pertencimento que estava adormecido há décadas. Um vazio que eu nem sabia que tinha começou, aos poucos, a ser preenchido.
Eu chorava em todas as missas. Em parte pelo tempo perdido, pelas coisas erradas que fiz e achava que eram certas, pela falta de uma mãe como Maria.
Comecei a catequese. Antes disso, em casa, meu sustento espiritual era assistir ao Padre Antônio Maria no YouTube. Ele foi parte importante do que me manteve de pé, especialmente nos momentos mais difíceis que viriam.
O chão que desapareceu
Em setembro de 2023, minha esposa e eu perdemos nosso bebê.
No mesmo período, levei uma facada de um ex-sócio e de um pseudo-investidor no maior contrato da minha vida profissional. Tudo junto, ao mesmo tempo.
Fiquei sem chão. Não havia mais nada sólido embaixo dos pés.
Foi nesse momento que a Igreja deixou de ser um lugar que eu visitava e passou a ser o lugar onde eu me sustentava. A Missa, o Rosário, o silêncio de uma nave vazia não resolveram nada do lado de fora. Mas me deram algo por dentro que nenhuma outra coisa havia dado.
O Terço dos Homens
Alguns meses depois de iniciar a catequese, o Cristian e o Marcelo, coordenadores do Terço dos Homens da minha paróquia, foram até a turma fazer uma apresentação e um convite.
Fiz uma visita. Gostei. Passei a frequentar.
Homens reunidos para rezar, sem vergonha, sem cerimônia. Algo que eu jamais imaginei que fosse fazer parte da minha vida.
Por que este site
Quando voltei para a Igreja, percebi que tinha muitas perguntas e poucas respostas acessíveis. A catequese que encontrei era boa em conteúdo, mas ruim em sequência. Como se alguém te ensinasse matemática começando pelo cálculo, sem passar pela aritmética.
Não havia um lugar simples, honesto, escrito por um leigo para outros leigos, que explicasse a fé do jeito que eu precisava que me explicassem.
Então decidi criar esse lugar.
Sou engenheiro de formação e trabalho hoje com inteligência artificial. Mas este site é uma forma que encontrei de falar com quem está querendo um caminho de volta. O Bom Católico não é conduzido por um padre ou por um acadêmico. É conduzido por alguém que saiu da Igreja aos 8 anos, se declarou ateu aos 17, perdeu um filho e quase perdeu tudo, e encontrou no meio disso tudo o caminho de volta para casa.
Se você está num momento parecido com qualquer parte dessa história, este site foi feito para você.
Bem-vindo à caminhada.
Gabriel Fonseca Fundador do O Bom Católico