28 de Março – São Gontrão

SANTO DO DIA – 28 DE MARÇO – SÃO GONTRÃO

Rei dos Francos, Confessor e Padroeiro dos Divorciados Arrependidos (c. 545-593)

Gontrão nasceu por volta do ano 545, filho de Clotário I e neto de Clóvis, o grande rei que unificou os Francos e se converteu ao Cristianismo com toda a sua corte por influência de sua santa esposa, Clotilde. Com a morte de Clotário em 561, o vasto reino foi dividido entre quatro filhos. A Gontrão coube a Borgonha, com capital em Châlon-sobre-o-Saône. Os outros irmãos, enredados em guerras fratricidas, foram-se eliminando uns aos outros. Gontrão, por preferir os prazeres e os acordos às batalhas, foi o único a sobreviver — mas não pela virtude dos seus primeiros anos.

Sua conduta inicial não foi exemplar. Repudiou a primeira esposa, cuja única culpa fora dar-lhe um filho natimorto. A segunda acabou em desgraça quando seus dois filhos morreram em tenra idade e ele a responsabilizou. A morte batia à sua porta com frequência, e Gontrão, diferente de muitos soberanos da sua época, soube ouvi-la. Convencido de que Deus o advertia por seus pecados, tomou uma decisão que mudou não apenas a sua vida, mas o seu reino inteiro: converteu-se de forma sincera e radical.

Jeunhou, orou, chorou e se ofereceu a Deus em reparação pelos próprios pecados e pelos do seu povo. A partir daí, governou como quem sabe que há um Rei acima de todos os reis. Adotou seu sobrinho Childeberto II, filho de Sigeberto, salvando-lhe o trono de pretendentes usurpadores. Promoveu a evangelização das regiões do Jura, fundou igrejas e mosteiros em várias cidades, instituiu as primeiras escolas nos arredores dos monastérios e convocou seis concílios regionais para reformar a disciplina eclesiástica. Nunca interferiu na nomeação de bispos, respeitando a liberdade da Igreja como poucos monarcas do seu tempo.

Quando a peste chegou a Marselha, trazida por um navio vindo da Espanha, Gontrão agiu como pai e como pastor. Ordenou rogações públicas de três dias, com jejum de pão de cevada e água, e distribuiu pessoalmente alimentos e recursos entre os atingidos. Seus súditos olhavam para ele com veneração. São Gregório de Tours, cronista daquele período, que o conheceu de perto, chamava-o simplesmente de “o bom rei Gontrão”. A tradição conta que uma mulher curou o próprio filho de febre aplicando-lhe um pedaço do manto do rei — e o próprio Gregório relatou ter testemunhado prodígios semelhantes.

Sobreviveu também a duas tentativas de assassinato, e a ambas respondeu com perdão. Morreu em 28 de março de 593, em Châlon-sobre-o-Saône, onde foi sepultado na Igreja de São Marcelo, que ele mesmo havia fundado. Seu sobrinho Childeberto herdou o reino. Quase imediatamente, o povo o aclamou santo. O Martirológio Romano registra seu nome com estas palavras: “Em Châlon-sur-Saône, na Borgonha, o sepultamento de São Gontrão ou Guntrano, rei dos Francos, que distribuiu os tesouros da sua riqueza em favor das igrejas e dos pobres.” É venerado como padroeiro dos divorciados arrependidos, dos que cometeram injustiças e buscam a reparação, e de todos os que confiam que Deus faz de um rei pecador um santo confessor.

Oração a São Gontrão

Senhor e Deus nosso, que convertestes o rei Gontrão de uma vida marcada pelo pecado e o elevasteis à santidade pelo arrependimento sincero e pela caridade generosa, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de não desesperarmos jamais da Vossa misericórdia, de nos convertermos com humildade e de usar os bens que nos concedestes em favor dos pobres e da Vossa Igreja. Amém.

São Gontrão, rogai por nós!


Outros santos e beatos celebrados neste dia

A Igreja faz memória também neste 28 de março:

São Castor, mártir em Tarso, na Turquia (data incerta). Santos mártires Prisco, Malco e Alexandre (260). São Cirilo, diácono e mártir, cruelmente assassinado no tempo do imperador Juliano Apóstata, no Líbano (c. 362). São Protério, bispo de Alexandria, que após um tumultuoso motim popular, na Quinta-Feira Santa da Ceia do Senhor, foi ferozmente assassinado pelos monofisitas sequazes do seu predecessor Dióscoro, no Egito (454). Santa Gisela da Baviera, que depois da morte de seu esposo, o rei Estêvão da Hungria, ingressou na vida monástica e aí perseverou até a morte, na atual Alemanha (c. 1060). São Sisto III, papa, que governou a Igreja com firmeza nos anos seguintes ao Concílio de Éfeso, defendeu a doutrina da maternidade divina de Maria e restaurou a Basílica de Santa Maria Maior em Roma (440). Santo Hilarião, hegúmeno do mosteiro de Pelecete, que defendeu vigorosamente o culto das sagradas imagens, na Turquia (século VIII). Santo Estêvão Harding, abade cistercense, na França (1134). São Cono, monge sob a observância dos Padres orientais, que ao regressar da peregrinação à Terra Santa distribuiu pelos pobres toda a fortuna familiar e abraçou a vida eremítica, na Sicília (1236). Beato António Patrízzi, presbítero da Ordem dos Eremitas de Santo Agostinho, ilustre pelo exímio amor aos irmãos e ao próximo, na Toscana (c. 1311). Beata Joana Maria de Maillé, que depois da morte do esposo na guerra, reduzida à miséria e expulsa de sua casa pelos parentes, viveu reclusa numa cela junto ao convento dos Menores, mendigando o pão, mas totalmente confiada em Deus, na França (1414). Beato Cristóvão Wharton, presbítero e mártir, condenado ao suplício da forca em ódio ao sacerdócio no reinado de Isabel I, na Inglaterra (1600). Beata Renata Maria Feillatreau, mulher casada e mártir, que durante a Revolução Francesa foi decapitada por permanecer fiel à Igreja Católica, na França (1794). São Sebastião Pelczar, bispo de Przemysl, fundador da Congregação das Servas do Sagrado Coração de Jesus, homem de vida intelectual e apostólica que cuidou dos pobres, criou jardins de infância, fundou bibliotecas e morreu como homem que em tudo serviu a Deus, por isso se consumiu, na Polônia (1924).


Fontes

Vatican News. Canção Nova, Liturgia Diária. Portal A12, Santuário Nacional de Aparecida. SGARBOSSA, Mario; GIOVANNINI, Luigi. Um Santo para Cada Dia. Edições Loyola. Martirológio Romano.

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