31 de Março – São Benjamim

Diácono, Mártir e Pregador Incansável da Pérsia (394-424)

A Pérsia do século V era um lugar difícil para ser cristão. O reino dos sassânidas era zoroastriano, e o Templo do Fogo — santuário central da religião persa — era não apenas um local de culto, mas um símbolo do poder do Estado. Quando em 420 um bispo cristão chamado Abdas queimou aquele templo por um zelo que a própria Igreja não endossou, as consequências foram devastadoras para toda a comunidade cristã da Pérsia. O rei Isdegerd demoliu todas as igrejas, ordenou a morte do bispo e desencadeou uma perseguição que duraria quarenta anos. Com a morte de Isdegerd em 421, seu filho e sucessor Varanes assumiu a perseguição com ainda mais fúria e crueldade.

Foi nesse contexto de sangue e medo que Benjamim, jovem diácono persa nascido em 394, se recusou a calar.

Benjamim não havia participado de nenhum incêndio. Era um homem de pregação, de conversão, de serviço. Exímio pregador, levava multidões à fé com sua palavra — inclusive sacerdotes zoroastrianos de seitas pagãs. Sua influência incomodou o rei Isdegerd, que o mandou espancar e prender. Na masmorra, onde permaneceu por um ano, Benjamim não parou de pregar. Os muros da prisão não eram, para ele, razão para silenciar. Continuou a orar, a meditar e a evangelizar todos que se aproximavam.

Fora da prisão, o imperador romano oriental Teodósio II enviou um embaixador a Constantinopla para negociar a paz com a Pérsia. O embaixador intercedeu por Benjamim, e Varanes concordou em soltá-lo, com uma única condição: que nunca mais pregasse o Evangelho. Benjamim ouviu a proposta e respondeu com uma clareza que não deixava margem a interpretações. Disse que jamais fecharia aos homens as fontes da graça divina, que não deixaria de fazer brilhar a verdadeira luz diante dos seus olhos — e acrescentou que, de outra forma, incorreria nos castigos que o Mestre reserva aos servos que enterram o seu talento. Foi solto assim mesmo, sem dar nenhuma garantia.

De volta à liberdade, retomou imediatamente o que nunca havia interrompido no coração. Pregou com ardor ainda maior. A tradição registra que sinais prodigiosos acompanhavam seu ministério: cegos enxergavam, leprosos eram curados, multidões se convertiam. O rei soube. Mandou prendê-lo novamente.

Desta vez não houve negociação. Varanes ordenou que Benjamim fosse trazido à sua presença e lhe ordenou que adorasse o sol e o fogo. O diácono respondeu: “Faz de mim o que quiseres, mas eu nunca renegarei o Criador do céu e da terra para prestar culto a criaturas perecedouras.” E voltou-se para o rei com uma pergunta que não era uma pergunta, mas uma sentença: “Que juízo farias de um súdito que prestasse a outros senhores a fidelidade que te é devida a ti?”

Furioso, Varanes ordenou a tortura pública. Enfiaram farpas e varas entre as unhas e a carne de suas mãos e pés, repassando as partes mais sensíveis do corpo repetidamente. Quando Benjamim não negou Cristo, aplicaram-lhe o suplício da empalação — uma estaca nodosa que rasgou e dilacerou suas vísceras. Por volta do ano 424, aos trinta anos de idade, o diácono Benjamim expirou.

O Martirológio Romano o registra como mártir. A Igreja o venera como padroeiro dos diáconos missionários e de todos os que pregam a fé em lugares hostis. Sua memória é celebrada em 31 de março.

Oração a São Benjamim

Senhor Jesus, que fortalecestes São Benjamim para que não cedesse diante do poder dos reis nem do horror das torturas, e que pela pregação do Evangelho selou sua fé com o próprio sangue, concedei-nos, por sua intercessão, a coragem de nunca enterrarmos o talento que nos destes, a fidelidade de não silenciarmos quando os homens precisam ouvir a Vossa Palavra, e a graça de confessarmos o Vosso nome diante dos homens, para que Vós nos confesseis diante do Pai. Amém.

São Benjamim, rogai por nós!

Outros santos e beatos celebrados neste dia

A Igreja faz memória também neste 31 de março:

Santa Balbina, cuja basílica no monte Aventino testemunha a veneração secular do seu nome em Roma (antes de 595). Santo Agilolfo, bispo, ilustre pela pregação e santidade de vida, na Alemanha (751/752). São Guido, abade do mosteiro de Pomposa, que depois de receber muitos discípulos e construir edifícios sagrados se consagrou inteiramente à oração, à contemplação e ao culto divino, na Itália (1046). Beata Joana, virgem da Ordem das Carmelitas, na França (século XIV). Beato Boaventura de Forli, presbítero da Ordem dos Servos de Maria, que pregando em diversas regiões da Itália exortou o povo à penitência e morreu octogenário durante uma pregação quaresmal (1491). Beato Cristóvão Robinson, presbítero e mártir, que foi testemunha do martírio de São João Boste, na Inglaterra (1597). Beata Natália Tulasiewicz, mártir, que durante a ocupação militar da Polônia, sua pátria, foi encerrada num campo de concentração na Alemanha (1945).

Fontes

Vatican News. Canção Nova, Liturgia Diária. Portal A12, Santuário Nacional de Aparecida. Templário de Maria. SGARBOSSA, Mario; GIOVANNINI, Luigi. Um Santo para Cada Dia. Edições Loyola. Martirológio Romano.

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